sexta-feira, 11 de julho de 2014

8 de julho, o massacre do Mineirão.


      Até hoje não consigo compreender o que aconteceu naquele dia, segui todos os rituais possíveis para que houvesse uma partida favorável e apesar de saber o que time adversário era melhor, torcia muito para que a minha Seleção pudesse se superar. Ainda procuro informações sobre a borboleta que bateu asas de forma errada no outro lado do mundo para causar esse desastre em campos brasileiros. O mundo ficou boquiaberto aquela tarde. Melhor seria se nenhum de nós lembrássemos do fatídico dia, se os agentes do MIB pusessem seus óculos e nos mandassem ficar de olhos bem aberto. Depois daquela luzinha, não havia mais sofrimento.

      Hoje, não consigo contar quantas vezes desliguei e liguei a televisão de casa, rezando para que quando ela ligasse novamente o placar estivesse escrito de maneira correta. Também não lembro a quantidade de vezes que andei da sala para o quarto, para a cozinha, para o corredor, buscando explicação, procurando no que me apoiar naqueles humilhantes minutos. Faltava fôlego, parecia que algumas flechas trespassavam certeiramente o meu dolorido coração, sete mais precisamente. Fazer o quê: chorar, rezar, torcer? Era a maior humilhação de todos os tempos.

      Foi mesmo verdade ou eu ainda estou sonhando? Quero acordar! Uma nação se calou, como num apocalipse zumbi, as ruas estavam vazias, nem as crianças choravam, apenas bandeirolas passavam pelas ruas empurradas pelo vento. Não era um filme de terror, era muito mais que isso, um massacre, assistido por pessoas do mundo inteiro e ao vivo. Seis minutos que ficarão para sempre cicatrizados em nossas cabeças para sempre, muito mais do que um fantasminha atormentador desde 1950. Pensávamos que ele havia sido expulso, exorcizado, mas a verdadeira face da criatura mostraria muito mais força semanas depois.



      Um país que havia reacendido o amor e que acolheu tão bem todos os estrangeiros, com algumas exceções argentinas, algo totalmente compreensível. Apunhalados pelas costas, novos traidores, os recebemos tão bem e o preço foi choro. Lágrimas por ver uma Seleção do Brasil humilhada, ultrapassada, arcaica, colocada na roda por aqueles que chamávamos "cintura dura". Não adiantou toda a novela de "sermos um só" ou até mesmo de que "somos todos Neymar", besteira. É preciso muito mais do que vídeos de incentivo e a ideia de uma família para ganhar um troféu de campeão mundial no futebol moderno.





      Por alguns dias até esquecemos que o campeonato nacional é fraco, que os bons jogadores ficam pouco por aqui e que fazem fama longe do Brasil. Esquecemos que o futebol vive um atraso nuca visto antes, ou visto, mas nunca com essa escassez de habilidades táticas como hoje. Se faltava comprometimento tático a nossa ginga supria qualquer brecha, o molejo, a malemolência, o Pelé, Garrincha, Tostão. Agora, temos um Neymar, que nem brilhou tanto assim e muita força de vontade, longe de compensar a superioridade de grandes adversários.




      Depois da incredulidade, a raiva. E quem culpar? Zuñiga? O governo por não ter realmente comprado a Copa? Ou o técnico que pediu a culpa e depois se arrependeu? Eu prefiro a última opção. Será que Dunga não nos ensinou nada? Fomos cegos, deixamos resultados "meia-boca" nos fazerem pensar que éramos os donos da bola, os temidos, aquele gigante que outrora fomos. Técnicos turrões, mal-educados e sem nada a melhorar. Comprometimento? Em 2010 isso não foi o bastante. Quer saber Felipão, pro inferno você com a sua arrogância, petulância e soberba. E se Mano Menezes estivesse ainda no comando? Eu não estaria escrevendo novamente, pois seriam tantos gols que o futebol brasileiro fecharia todas as suas portas.

 




  O povo brasileiro merece mais que isso! Mais que pessoas normais travestidas de super-heróis sem treinamento. Merecemos um pedido de desculpa e o fim da soberba. Que venha pelo menos o terceiro lugar contra o time do petulante Van Gaal. Merecemos mais nesses próximos quatro anos, pra começar uma reforma do futebol nacional, começando pelos treinadores e culminando no título de 2018. Merecemos o nosso lugar de grande, nosso reconhecimento de volta, nossa honra. Enquanto isso, aquele aparelho dos "Homens de Preto" resolveria nossos problemas.

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